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O conceito de Pré-História foi difundido pela primeira vez na segunda metade do século XIX. Surgiu para designar uma disciplina de Daniel Wilson:"The Archaeology and Prehistoric Annals of Scotland", este termo que foi bastante utilizado, ainda é, e embora sofra várias criticas, tem o mérito de salientar que a pré-história estuda o passado do homem a partir das sociedades ágrafas. (Trigger, 1973:04). Até então, a pré-história era entendida a partir de preceitos religiosos que datavam o planeta e a vida sobre ele em 6.000 anos.
A arqueologia tem passado por várias transformações metodológicas e conceituais no decorrer do processo histórico. Em um determinado período, que corresponde do século XV ao XIX, o intuito dos trabalhos arqueológicos, era a obtenção de peças para enfeitar os palácios dos financiadores da pesquisa, ou ainda, encher salas de museus na Europa (Robrahn-González, 2000:13). Assim, nesse período, não podemos identificar uma preocupação acadêmica, ou hipóteses de pesquisa bem definidas.
No período dito descritivo-classificatório, que vai de 1840 a 1914, percebe-se uma mudança de atitude em relação ao material recolhido nos espaços escavados: ocorre a descrição dos materiais encontrados, buscando dessa forma, tornar a arqueologia uma disciplina científica. Universidades, órgãos públicos, museus e sociedades científicas passam a financiar as pesquisas, o que contribui para o desenvolvimento desse caráter sistemático e científico.
De 1914 a 1960, acontece o período histórico-classificatório. Destaca-se Gordon Childe, que se preocupou com a cronologia dos vestígios arqueológicos, bem como, com a análise dos mesmos a partir de sua posição na estratigrafia do sítio. Além dessa perspectiva vertical, discorre sobre a importância da análise horizontal, onde se pode diagnosticar as seqüências regionais, bem como definir áreas culturais.
Acontece também, nesse período, uma maior ligação da arqueologia com a antropologia. Essa corrente de pensamento torna-se mais nítida entre os norte-americanos. O método utilizado foi a seriação, objetivando a ordenação dos vestígios através da ausência ou seqüência de determinados artefatos. Os padrões passaram a ter um significado cultural, e o conceito de "tipo" passou a ser considerado com grande importância, uma vez que essa metodologia permitiria identificar os relacionamentos que existiam entre as diferentes culturas num determinado espaço. "Tanto o método de seriação quanto a tipologia de artefatos, as classificações culturais e a perspectiva histórica direta tinham um objetivo comum: a elaboração de sínteses regionais, que procuravam ordenar os dados arqueológicos de uma determinada área em uma perspectiva temporal e espacial." (Robrahn-González, 2000:18).
Uma outra corrente que surge, neste período, voltada para os aspectos ambientais, é a arqueologia ligada a ecologia e a cultura, ou "ecologia cultural". as principais questões discutidas são: os artefatos são vestígios materiais do comportamento social e cultural do homem; o estudo dos padrões de assentamento, mostrando que o homem utiliza-se de seu espaço considerando os aspectos físicos do meio, bem como os outros grupos assentados neste espaço; a relação entre cultura e ambiente, onde o homem está diretamente relacionado com os recursos básicos disponibilizados pelo meio em que vive.
A Arqueologia Moderna, que inicia sua trajetória pós 1960, possui duas fortes correntes teóricas: a New Archaeology - ou Escola processual e a Escola pós-processual. A primeira representa a arqueologia eminentemente antropológica e seus conceitos básicos estão respaldados nos seguintes pontos: a) a natureza da arqueologia passa a ser explanatória; b) se desenvolvem análises sobre os processos culturais; c) as hipóteses seriam formuladas e testadas; d) utilização da Teoria Geral dos Sistemas, com a identificação e caracterização dos padrões culturais; e) relação entre cultura e meio ambiente; além da preocupação com as coleções, que deveriam ser estudadas a fim de permitir generalizações.
A segunda apresenta-se de forma variada, agregando influências diversas como o neomarxismo, o pós-positivismo e a hermenêutica (método que visa a interpretação de textos). E contrária os aspectos funcionais e ecológicos da New Archaeology, abordando aspectos cognitivos e simbólicos das sociedades, além de relativizar o passado, entendendo que este é "socialmente construído" pelos próprios pesquisadores, imbuídos de sua historicidade.
Por fim, percebemos a proliferação de correntes e escolas, que discordam entre si, e que, no entanto, possui formas complementares de interpretação de um passado que até agora não se mostrou em todas as suas nuances. Compreendemos, com isso que os espaços da arqueologia, são definidos pelo espaço ocupado e transformado pelo Homem. Essa transformação sugere o desenvolvimento de técnicas, que constitui uma das matérias centrais da pesquisa arqueológica.